O setor do pós-venda automóvel ibérico volta a reunir-se em Ávila, Espanha, nos dias 14 e 15 de setembro, para a quarta edição do Congresso Pós-Venda Ibéria 2026. Organizado pelo Cesvimap — o centro de investigação e desenvolvimento da seguradora Mapfre —, o encontro decorre no Palácio de Congressos Lienzo Norte e volta a posicionar-se como um dos principais fóruns de debate para os profissionais que definem o futuro do mercado ibérico.
Com mais de quatro décadas de experiência em reparabilidade e segurança rodoviária, o Cesvimap reúne nesta edição toda a cadeia de valor do pós-venda: fabricantes de veículos e componentes, grupos de distribuição e de oficinas, seguradoras, empresas de renting, fornecedores de equipamentos de diagnóstico e especialistas em soluções tecnológicas de gestão. A agenda inclui temas como a rentabilidade e a sustentabilidade das oficinas, a gestão de talento, a inteligência artificial e a transformação de negócios familiares em estruturas mais escaláveis e competitivas.
Regulação e eletrificação: os dois desafios que mais pesam na peritagem
Dois eixos da agenda merecem destaque particular para quem faz avaliação de danos e gestão de sinistros. O primeiro é regulatório: o Regulamento MVBER (Motor Vehicle Block Exemption Regulation) e a diretiva europeia sobre o direito à reparação obrigam os fabricantes a rever a reparabilidade e a reciclabilidade dos seus produtos, com implicações diretas na disponibilidade e no custo de peças sobresselentes — um fator que qualquer perito pondera ao calcular a fronteira entre reparação e perda total.
O segundo eixo é a eletrificação. O crescimento das vendas de veículos elétricos e híbridos em Portugal e Espanha exige que as oficinas invistam em formação especializada e em equipamento próprio para intervir em sistemas de alta tensão e em baterias. Para a peritagem, isto tem um efeito concreto: uma colisão que antes seria uma reparação simples pode agora envolver a inspeção de células de bateria, sensores de segurança e componentes de alta tensão cuja substituição — e cuja verificação de integridade — exige procedimentos e certificações específicas, alterando o cálculo do valor da reparação.
A digitalização, também presente na agenda através de ferramentas de diagnóstico avançado e manutenção preditiva, reforça esta tendência: cada vez mais dados técnicos do veículo ficam disponíveis antes mesmo da inspeção física, o que pode agilizar — mas também tornar mais exigente — o trabalho de avaliação.
O que fica para o setor
O Congresso Pós-Venda Ibéria confirma um movimento que já se sente no terreno: a peritagem automóvel deixou de ser apenas uma questão de chapa e mecânica para se tornar, cada vez mais, uma análise de sistemas eletrónicos, normas de segurança e enquadramento regulatório em constante mudança. Acompanhar de perto estas discussões — e a formação técnica que delas resulta — será decisivo para quem quer manter o rigor da avaliação de danos à altura da complexidade dos veículos atuais.




