Novo polimento profissional e o impacto na pintura reparada

polimento profissional de pintura automóvel numa oficina de chapa e pintura

O Centro Zaragoza — entidade espanhola de referência na investigação técnica sobre reparação automóvel e responsável pelo baremo de pintura usado por várias seguradoras — promoveu, no dia 23 de junho de 2026, uma jornada técnica dedicada aos sistemas de polimento da marca alemã ZviZZer. A sessão, dirigida às equipas de pintura de oficinas de chapa e pintura, apresentou o novo sistema Speed Polish e as almofadas UFO Thermo Pads, pensados para simplificar e uniformizar o acabamento final da pintura reparada.

A formação foi conduzida por José Antonio Arroyo, técnico da Recambios Segorbe — distribuidor espanhol de recambios e produtos de pintura, também presente no mercado português através do Grupo SERCA —, e por Asier Aparicio, técnico da ZviZZer. Segundo o Centro Zaragoza, a primeira parte da jornada foi teórica, com uma visão geral dos sistemas modernos de polimento, dos diferentes conceitos de pulimento e da importância da correta seleção das almofadas, abordando a correção de defeitos, a obtenção de brilho, a proteção da superfície e a otimização dos tempos de trabalho em oficina.

Na parte prática, realizada na oficina do próprio Centro Zaragoza, os participantes experimentaram o Speed Polish — um composto que promete corte, brilho e proteção num único passo, ao contrário dos processos tradicionais de polimento em várias fases. O sistema utiliza-se em conjunto com as almofadas UFO Thermo Pads, fabricadas em espuma termoestável que mantém um comportamento constante mesmo com o aumento de temperatura gerado pelo atrito. De acordo com informação do próprio fabricante, estas almofadas existem em três níveis de dureza — cinzenta, para defeitos severos equivalentes a uma lixagem P1500; branca, para riscos médios equivalentes a P2000; e bordô, para acabamento e proteção final —, o que permite adaptar o processo ao estado real da pintura e ao resultado pretendido.

O que muda na avaliação da pintura reparada

Para quem faz peritagens, a evolução destes sistemas de polimento tem um efeito direto na leitura do acabamento de uma pintura reparada. Um polimento em passo único, bem executado, tende a reduzir marcas como hologramas e microrriscos que, tradicionalmente, ajudavam a identificar uma repintura recente ou um acabamento de qualidade inferior. Sistemas mais eficientes tornam esta deteção visual menos óbvia, exigindo do perito uma observação mais atenta às condições de luz e ao contexto da reparação, e não apenas ao aspeto superficial imediato.

Por outro lado, um acabamento mais uniforme e consistente facilita também a comparação com os parâmetros de referência do baremo de pintura do Centro Zaragoza, amplamente utilizado por seguradoras na definição de tempos e custos de repintura. Um acabamento tecnicamente correto, obtido com equipamento adequado, aproxima-se mais facilmente dos critérios de aceitação esperados — o que pode reduzir divergências entre oficina e seguradora na fase de fecho do processo de sinistro.

Nestas situações, uma segunda análise técnica independente continua a ser a forma mais fiável de confirmar se o acabamento cumpre os critérios exigidos, independentemente da tecnologia de polimento usada na oficina.

O que fica para o setor

A jornada promovida pelo Centro Zaragoza confirma uma tendência que se replica noutros mercados europeus, incluindo o português: os processos de chapa e pintura tornam-se mais rápidos e tecnicamente mais consistentes, o que beneficia oficinas e clientes. Isso exige, também, que a peritagem evolua na mesma medida. Acompanhar estas novidades técnicas — e não apenas os resultados finais — é, cada vez mais, parte do trabalho de quem avalia a qualidade de uma reparação.

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