IA avalia danos em vidro automóvel: acordo AGE-DriveX

avaliar danos em vidro automóvel com IA

A Automotive Glass Experts (AGE), rede internacional de prestadores de serviços de vidro automóvel presente em 29 países, formalizou um acordo de fornecedor com a DriveX Technologies, empresa estónia especializada em inteligência artificial aplicada à avaliação de danos em vidro automóvel. O acordo alarga a categoria de parceiros de IA da AGE e passa a dar aos seus membros acesso imediato à tecnologia em todos os mercados onde a rede opera.

O que muda com a integração da DriveX

Ao contrário de muitas soluções de inspeção que nasceram para danos gerais na carroçaria e foram depois adaptadas ao vidro, a DriveX foi concebida de raiz para este segmento específico. A plataforma integra num único fluxo de trabalho a decisão entre reparação e substituição, os requisitos de calibração de sistemas ADAS, a identificação de peças e a deteção de indícios de fraude.

Segundo a informação divulgada pela AGE, a solução — com patente pendente — baseia-se numa das maiores bases de dados de visão computacional dedicadas a danos em vidro automóvel e consegue emitir uma recomendação de reparação ou substituição em menos de 10 segundos, considerando o tipo, a dimensão e a localização do dano, bem como as normas de segurança aplicáveis. O processo do lado do cliente é simplificado: o utilizador recebe uma ligação por SMS ou email e conclui a captação de fotografias pelo smartphone em menos de um minuto, sem instalar qualquer aplicação.

A DriveX foi fundada em 2020 em Tallinn e começou por trabalhar com seguradoras bálticas antes de, a partir de 2024, se dedicar também ao setor do vidro automóvel, com acordos junto de operadores da rede Belron (Carglass®) em vários países europeus e, mais recentemente, nos Estados Unidos.

O ângulo do perito: menos incerteza na decisão reparar vs. substituir

Para quem faz peritagem e gestão de sinistros, o dado mais relevante não é a velocidade da resposta, mas a sua consistência. A AGE indica que as descrições de danos feitas pelos próprios clientes são precisas apenas em cerca de 80% dos casos — uma margem de erro que, na prática, se traduz em deslocações técnicas desnecessárias e em decisões de reparação/substituição tomadas com informação incompleta.

A empresa refere ainda que a utilização da ferramenta antes do agendamento da intervenção permitiu subir a taxa de reparação (em vez de substituição) de menos de 5% para mais de 18% em implementações já documentadas. Se estes números se confirmarem em escala, têm impacto direto no custo médio dos sinistros de vidro e na forma como seguradoras e oficinas gerem o processo — sobretudo num contexto em que cada vez mais para-brisas alojam sensores ADAS, cuja calibração pode pesar mais no custo final do que o próprio vidro.

A deteção de indícios de fraude incorporada na plataforma é também um ponto a acompanhar: sistemas deste tipo podem ajudar a sinalizar padrões suspeitos numa fase inicial do processo, mas a validação final da fraude continua a exigir análise pericial qualificada — a tecnologia apoia a triagem, não substitui a avaliação humana em casos de litígio.

Este tipo de ferramenta é ainda uma referência útil para quem procura uma avaliação de danos independente fora do circuito das oficinas afiliadas às redes de vidro.

O que fica para o setor

A adoção de IA na avaliação de vidro automóvel segue uma tendência já visível noutras áreas da peritagem: sistemas que prometem decisões mais rápidas e documentadas, mas cuja fiabilidade real só se confirma com a exposição a grandes volumes e a diferentes mercados. Para o setor segurador e para os peritos independentes, o essencial será perceber até que ponto estas recomendações automáticas são auditáveis e como se articulam com os processos periciais já existentes, sobretudo quando há calibração ADAS ou suspeita de fraude envolvidas.

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