A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) anunciou que a aplicação e-SEGURNET já ultrapassou os 53 000 acidentes participados, um número que corresponde a cerca de 92 000 participações enviadas às seguradoras e a aproximadamente 10 400 informações adicionais preenchidas. Em comunicado divulgado no final de junho, a associação sublinha uma evolução homóloga superior a 50% entre janeiro e maio de 2025 e 2026.
A e-SEGURNET foi desenvolvida pela APS em conjunto com as seguradoras que operam em Portugal, com o objetivo de substituir a tradicional declaração amigável em papel por um processo digital através de telemóvel, tablet ou computador. Segundo a associação, nos últimos quatro meses o número mensal de sinistros participados por esta via tem ultrapassado sempre os 1 200. Os dados mostram ainda que 69% das participações envolvem várias viaturas, enquanto os restantes 31% dizem respeito a sinistros com um único interveniente, ao abrigo de coberturas como Danos Próprios ou Quebra Isolada de Vidros.
O que muda na análise de sinistros
Para quem trabalha na avaliação de danos e na gestão de processos de sinistro, o crescimento da e-SEGURNET tem um efeito que vai além do número absoluto de participações. A georreferenciação do local do acidente, incluída na aplicação, permite identificar concentrações de sinistralidade — os chamados “pontos negros” — algo que a declaração amigável em papel nunca conseguiu documentar de forma sistemática.
Este tipo de dado tem valor direto para o perito: um processo digital, com fotografias georreferenciadas e esboço do acidente gerado no momento, chega normalmente à peritagem com menos ambiguidades do que uma declaração amigável preenchida à mão, muitas vezes com croquis pouco rigorosos ou informação incompleta sobre os veículos envolvidos.
A adesão crescente à app também acelera a fase inicial do processo. Como a e-SEGURNET notifica automaticamente as seguradoras envolvidas assim que a participação é submetida, reduz-se o tempo entre o acidente e a abertura do processo de sinistro — um fator que, em última análise, também condiciona a rapidez com que a peritagem pode ser agendada e realizada.
O que fica para o setor
O crescimento sustentado da e-SEGURNET reflete uma tendência mais ampla de digitalização da participação de sinistros em Portugal, que tende a reduzir erros de preenchimento e a acelerar a comunicação entre condutores e seguradoras. Para o setor da peritagem, o desafio passa por acompanhar esta digitalização, aproveitando dados mais completos e melhor documentados logo desde o momento do acidente.




